DISTORÇÕES
HISTÓRICAS
Distorções históricas
são comuns e afetam a memória dos povos em relação a nomes ou acontecimentos
passados. Em geral, são fruto de desinformação, não de má fé.
Nossa família também foi vítima dessa distorção, principalmente no que
se refere a erros de grafia. Como vocês puderam observar e vão continuar
observando nos documentos postados, erros absurdos de grafia do nome, sobrenome
e transcrição de nomes italianos para o português. Por exemplo os nomes de
Michele Pintaro e Maria Righele foram escritos da seguinte maneira nas certidões
de casamento dos filhos: Luigi – Luigi Pinto – Michele Pintos e Maria Requelle;
Teresa – Theresa – Miguel Pentro e Maria Righele, esse correto; Angela: Angila Pintró – Michele Pintro e Maria Reglo;
Giuseppina – Juseppina – Mechele Pintro
e Maria Arigule; Amadio – Amadeo –
Michecl Pedro e Maria Regiú.
Quando fomos a procura dos documentos dos nossos antepassados para
anexar ao processo de cidadania a dificuldade foi enorme, o documento mais difícil
de encontrar foi o do nosso nono Izidorio Pintaro que a escrevente só localizou
depois que buscou por nomes assemelhados. Estava assim registrado; Izidorio
Pentro, filho de Luis Pintro e Gacamas Tomais (Giacobba Tomas). Avós paterno:
Miguel Pintro e Maria Rigur e avós Maternos: Joanne Famais (Giovanni Tomas) e
Gacamos Ron Anaia (Giacobba Romagna).
No livro Povoadores da Colônia Caxias de
Mário Gardelin e Rovílio Costa, 1ª Reimpressão: 2015, página 163 consta o
seguinte: “ Por erros de grafia, há uma verdadeira barafunda a respeito dos
nomes dos primeiros colonos. Falavam seus dialetos. Os escrivães eram
brasileiros, com escasso conhecimento do italiano. Sem contar o famoso Martim
Ayres, que estropiou sistematicamente o nome de uma geração inteira. O leitor
nem sempre encontrará a grafia correta. Lembre-se do que estamos informando.
Aliás, com a unificação da Europa, muitos são os que desejam estudar em suas
universidades, e a dupla cidadania tem sido buscada. Melhor seria adequar os
nomes à ortografia de além-mar. A menos que queiram duplamente passar por
poveracci. Poveracci quando partiram e, mais ainda, quando deixaram seus nomes estropiados.”
O escrivão Martim Ayres mencionado acima
foi o que lavrou todas as certidões de casamento dos nossos antepassados.
Ainda no livro Povoadores da Colónia
Caxias, página 128, os autores escreveram sobre distorções históricas o
seguinte: “Na história da colonização italiana, no Rio Grande do Sul,
enfrentamos um grande vazio, que vai de 1875 a 1914, por falta de documentos
que deem base a interpretação da realidade social. Operou-se uma transferência
de conceito, que se materializam com a segunda geração, insistem, e têm
fundamento sobre o empobrecimento cultural de nossa região. E, mais
influenciado pela visão do fascismo, que é um movimento culturalmente forte,
chegamos a uma série de lugares-comuns que são muito longe da verdade em
relação ao imigrante de 1875.
Peço licença para explicar-me. Afirmamos
que o colono era um homem de escassa instrução, e inclusive encontrei quem
duvidasse de que eles soubessem quem foi Dante Alighieri. Ora, o exame dos
nomes dos primeiros povoadores da Colônia Caxias mostra que os alfabetizados
eram uma maioria, quanto aos homens, superior à nossa média nacional de hoje.
Volto ao Stella d’Italia, que tinha uma ampla rede de correspondentes no
Estado, que fornecia material, em todas as áreas.
Poderíamos citar as localidades de Nova
Pádua, Nova Trento, Nova Vicenza, Antônio Prado, Caxias, Garibaldi, Bento
Gonçalves, Montenegro, Cruz Alta, Santa Maria, etc. Em todas elas havia quem
soubesse redigir, liderar e interpretar os sentimentos comuns. E entender as
teses do jornal.
O Stella d’Italia foi um privilegiado,
que conseguiu captar um momento significativo, isto é, os anos iniciais do
século. Mas não se pode esquecer que os imigrantes capazes de posições de
liderança já eram maduros, por volta de 1875. Podemos dar-lhes mais de 30 anos.
Em 1902, eles já deveriam andar pelos 60 anos; portanto muitos não estavam mais
em condições de dar continuidade à sua liderança.
Não há dúvida de que os filhos dos
imigrantes não encontraram escolas e muito menos um ambiente que culturalmente
pudesse equiparar-se ao dos pais, deixado na Itália. Houve, assim, um
empobrecimento ou depauperamento cultural, que vai tornar-se ainda mais
acentuado com a terceira geração. É sobre esta, os que viviam por volta de
1925, que os historiadores montam suas apreciações e análises. Esses conceitos
são transferidos para os veteranos de 1875, que haviam já, em sua maioria,
falecido.
Torna-se imperioso rever o que se disse
e se afirmou. O nível de instrução e de alfabetização dos colonos de 1875 não
era o de 1900, e muito menos o de 1925, que é o momento em que se fixam
inúmeros conceitos. Precisamos, pois, coletar a documentação que possa
responder a essas perguntas. De outra forma, estaremos sempre nos repetindo e
cada vez mais longe da verdade.”
Na Transcrição Paleográfica Autenticada
da família de Michele Pintaro, consta que ele, sua esposa e os filhos, com
exceção de Amadio e Maria que eram crianças de 6 e 2 anos, todos eram alfabetizados.
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16:20
Família Pintro/Pintaro
Que legal, é bom saber o que causou essa confusão toda com nosso sobrenome e mais legal ainda é saber que praticamente toda a família veio alfabetizada da Itália.
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